domingo, 12 de agosto de 2012

A festa das letrinhas

Fiz esta pequena história depois de observar a dificuldade de alunos do 6º ano em empregar adequadamente a letra M antes das letras P e B. Para muitos, valeu a pena.


A festa das letrinhas

(por Claudia Vanessa Bergamini)

Certa vez, as letras do alfabeto resolveram fazer uma grande festa. Os preparativos andavam a todo o vapor. O A corria com a comida, enquanto o D verificava as bebidas. O T, ansioso para ajudar, cuidou de toda a decoração do salão. O L teve a ideia de contratar um DJ para animar a festa com muita música, e o entusiasmado P sonhava em conhecer alguém especial no grande dia. Pouco a pouco, cada letrinha cuidou de um preparativo, até que o dia tão esperado chegou.  
O R tratou de procurar o cabeleireiro e o S tratou de ir comprar uma roupa nova muito elegante. Todos estavam empolgados e queriam fazer daquela festa a mais feliz que o alfabeto já conhecera. Então, quando o relógio tocou vinte e uma horas, o DJ soltou o som e a alegria contagiou o ambiente. Não demorou muito para que os pares se fizessem e a pista de dança recebesse os casais. Um dos mais apaixonados era o Q com o U, que de tão felizes, de tudo achavam graça.      
Mas um inesperado incidente aconteceu. O N, ao ver o B chegar radiante em uma roupa toda colorida, não conseguia pensar em outra letrinha, só tinha olhos para ela. Ao mesmo tempo, do outro lado do salão, o P não deixava de prestar atenção no N. Tantas letrinhas para serem observadas e o N só pensava no B, enquanto que o P só pensava no N. Que confusão!
No meio da festa, as três letrinhas começaram a conversar, mas infelizmente não se entenderam e depois de muito bate-boca o B gritou que não queria nem chegar perto do N e do P, que antes morria de amor pelo N, agora mal conseguia pronunciar o nome de tal letrinha. Foi nesse momento que o M achou melhor dar um fim à discussão. Chegou ao meio da pista de dança, pediu que a música parasse e com toda a sua autoridade disse:
- De hoje em diante fica proibido que o N chegue perto do B e do P, pois se for para brigar, exijo que nem se olhem mais.
Assim, o M acabou a grande discussão que se armara. As letrinhas obedeceram a ordem dada e continuaram a festa com grande alegria. Até hoje, não há notícias de que o N tenha desobedecido. E o P e B são amigos somente da letra M. Por isso, amiguinhos, não desobedeçam à ordem da letrinha M e lembrem-se de que o N nunca dá a mão para o P nem para o B, caso isso aconteça haverá uma grande briga no alfabeto.  

quarta-feira, 6 de junho de 2012

poesías en español

Lo que siento...

Siento el viento en mi rostro
La piel pegada con las hojas
El hilo de paz y de amor
que viene del cielo

Siento una paz interior
Una dulce voz que me llama a amar
un rato de placer hace la mujer
sentir la mar...

Siento deseo de conocer personas distintas
Mirar a ojos que no he visto
Ouvir una voz aterciopelada en mi oído
diciendo cosas locas y calientes

Lo que deseo es el amor
Loco amor de los amantes
Puro amor de los ángeles
Sueño de una otra realidad.

(Claudia Vanessa Bergamini)


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Teatro na escola


As fotos acima são da atividade que realizei com alunos do 1º ano do ensino médio. O trabalho incentivou a leitura e desenvolveu a habilidade para falar em público. As apresentações foram realizadas durante o mês de março e organizadas de modo que cada grupo encenasse uma das crônicas do livro Comédias para se ler na escola, de Luís Fernando Veríssimo. Além da encenação, os alunos elaboraram um roteiro teatral, contendo as características do gênero: rubrica e discurso direto. A adaptação do texto é uma atividade que requer o entendimento dos recursos do gênero dramático, conhecimento necessário ao aluno do ensino médio. 

domingo, 22 de abril de 2012

Quem sou eu?

Quem sou eu? 
(Claudia Bergamini)

Sou o vento que sopra manso e delicado,
que ao bater no rosto, toca a pele suave, sem fazer mal ou bem,
somente se faz sentir.

Sou a pedra que teima em não deixar brotar a   flor,
Sou memória do passado,
vivo, quente, latente...

Sou a história do homem que luta,
da mulher que chora,
da criança que sonha
do idoso que ainda labuta.

Quem sou eu?
Estrela com luz,
ou estrela sem brilho,
que seduz?

Tempo, vento, pensamento....
Tudo sou eu
e com o tempo
descubro-me ainda muito mais....

Sou força, luz, brilho,
que oscila entre a opacidade
e a brilhante força que me conduz ao palco.

Sou assim...
ponho-me a criar,  a imaginar
e a deixar que minha mente me
transforme em quem eu queira ser.

Cordel: Um cordel para Seu Pedro

Esse é o Seu Pedro, pescador de Itapoá, Santa Catarina, cujas ações me inspiraram a escrever o cordel abaixo.

Um cordel para Seu Pedro
(Claudia Bergamini)

Nas rimas que aqui seguem
Com gosto quero contar
Uma história diferente
De um homem que vive a pescar
No mar com seu barquinho
Que diante de tanta tecnologia
Mostra-se tão pequenininho
Mas não amedronta o dono
Que enfrenta mar adentro
Os perigos do oceano.

Um dia na praia eu estava
Lá em Itapoá
E um homem vi chegar
Seu nome, Pedro, ele me disse
Quando eu fui perguntar.
 Corria de um lado a outro
Ajudava a cada companheiro
A força e a simplicidade
Tomavam-no por inteiro

Mas intrigada eu fiquei
Por que se seu barco já chegara
Para que tanto correr?
Para auxiliar os que precisavam.
Seu Pedro então me disse
Ensinava-me uma lição
A vida no mar é brava
E tecnologia aqui não tem não


Cada barco que chega
É a vida de um irmão
Um parceiro que no mar
Vai em busca do pão.

Seu Pedro continuou dizendo
Que a vida na praia é difícil
No calor se divide espaço
Mas no inverno não se divide o frio
E os barcos para o mar vão
Na chuva, no sol e no frio
Para buscar o pão,
O sustento dos nossos filhos

Menina, preste atenção,
Disse-me seu Pedro, sério.
A vida de um pescador
Perigos encontra ao mar
Mas na areia há uma coisa
que só o pescador sabe dar:
auxílio a seu amigo
e o pão compartilhado
no sol, na chuva e no frio
o amor é nosso sustento diário. 


Crônica Um brinquedo para ser inventado


Um brinquedo para ser inventado
Ultimamente, ando a pensar nas brincadeiras de roda, na amarelinha, no trava língua, no
pega-pega, enfim... Percebi-me, horas a fio, recuperando da memória os jogos que eram, para as
crianças, símbolo de diversão.  
Os tempos, porém, são outros. A amarelinha foi perdendo lugar para as teclas do videogame; o pega-pega virou coisa do passado. Melhor é brincar de polícia e ladrão, um correr atrás
do outro de arma em punho e com o grito do policial na garganta: “Mãos ao alto!”, “Solte a arma!”.
Arma? Que arma? Onde estão os carrinhos de rolimãs, a bola para o futebol, o basquete
ou a queimada?
Nas últimas décadas, sobretudo, na primeira década do século XXI, as crianças deixaram
de perceber que a alegria pode vir de uma simples corrida ou de jogos do tempo de nossas avós.
Colocaram, nas mãos dos pequeninos, armas e lhes disseram que eram para o divertimento. Assim, foi preciso aprender a manusear os novos brinquedos, a se divertir com os novos
meios. Com o tempo, adolescentes, adultos e até crianças perceberam que podiam usar esses
brinquedinhos para roubar, para assustar e, assim fizeram, semeando medo por muitos lugares.
Quem teve a ideia de transformar arma de fogo em sinônimo de brincadeira não foi ‘um
sujeito genial’, como disse Drummond sobre o inventor do tempo em um de seus poemas.
A nós só nos resta esperança de que surja um inventor de brinquedos para criar um mais
do que especial, capaz de disparar beijos, abraços e amor ao próximo toda vez que for acionado.

Claudia Vanessa Bergamini

A luta pela expressão: a trajetória de um canto

A trajetória de um canto (Claudia Bergamini) A leitura de um cordel exige daquele que a realiza a percepção aguçada para engendr...