Não mate a poesia. Todos os poetas a buscam e ela escolheu pousar em você.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Poemas de instantes



Erma 
(por Cláudia Vanessa Bergamini)
Menina, menina, aprende a viver,
tira o pé da lama,
a cabeça da nuvem,
a mente da tempestade.
Procura tua estabilidade,
ela não está no sol,
nem tu és uma lua,
acorda logo e sai à rua.
Deixa de lado a doçura de palavras,
pensa mesmo é na realidade,
pensa nas verdades,
busca a tua sobriedade,
(mesmo quando o vinho deixar corpo e mente rendidos,
faze de flores um colar bonito e sai para desfilar sem medos, estão eles rendidos).
Menina, menina, o tempo corre e cobra.
Quantos dias podes contar e ainda presa estás neste vendaval tão sem sentido?
Corre, menina, para a vida,
tu eras livre e sabes bem disso.
Liberdade, menina, não está no corpo,
está na mente e no coração.
E tu eras livre.
Volta à tua liberdade,
pode ser ela uma farsa, mas teu coração era livre.
Liberta-te do mal que te aflige.
Sorri para a vida e olha ao redor,
sabes bem que rostos miram para ti,
que há mãos que desejam, de verdade, segurar as tuas,
senti-las bem de perto, com calor, com maciez.
Esquece palavras, menina,
são elas tão efêmeras diante de verdades que te fazem sofrer.
Eleva tua face ao céu de novo.
Busca aquilo que já foi,
não queiras ser outra, pois tu és fruto de ti mesma,
e quem te conta mentiras não merece sentir o calor de tuas mãos, nem a doçura de teu coração.
Guarda, menina, o amor para o porvir,
deixa o sorriso para outro dia,
oculta o desejo como outrora isso já conseguistes,
esconde a mulher vibrante e deixa o tempo sossegá-la.
Todavia, não esqueças do chão de luzes baças por que pisou,
agora, toma a rédea de tua vida e pisa em solo firme,
esquece o coração,
volta a ser razão,
não deixes que o olhar te cegues uma vez mais.
Lembra-te das linhas primeiras que lestes,
já não eram tuas,
lembra-te das palavras primeiras a ti ditas,
elas te alertavam e tu, de coração desenfreado,
esquecestes de tua promessa.
Menina, menina,
te quero sorrindo,
te quero vivendo,
te quero liberta.
Age com coragem e crê na tua força.
Esquece o sol e pensa na lua.
Faze com que a lua não morra,
mas que nela deixe de viver o astro que a consome.

Invisível 
(por Claudia Vanessa Bergamini)
Carros passam pela rua. Buzinas soam. Janelas se abrem e se fecham. Da esquina, um grito ecoa. O ônibus freia, alertando os ouvidos de que é preciso atenção. Da casa, a menina a tudo assiste. Pobre dela! Não sabe que no coração o ritmo é mais intenso do que o do frenesi citadino. 

Mister 
(por Claudia Vanessa Bergamini)
Perder-se também é caminho,
nele é que se tenta encontrar o que não se sabe,
mas se sente.
Perder-se é necessário para o encontro consigo...

Laço para enredar
(por Claudia Vanessa Bergamini)
Se me olhares de novo,
com mais atenção, 
encontrarás para além da fragilidade e lágrimas...
Olha-me com olhos devoradores,
tira do teu olhar a água tranquila e põe nele o mar revolto.
Olha-me como quem mira o fogo e suas labaredas serpenteando sob a fogueira,
como quem se depara com a chuva depois da estiagem,
como quem se aquece com o fluir do vinho no sangue.
Se me tocares de novo, 
com mais veemência,
encontrarás na pele a maciez dos lençóis nupciais.
Toca-me com mãos insinuantes,
tira das tuas mãos a delicadeza do toque e põe nelas as garras da águia diante da presa.
Toca-me como quem se agarra à corda diante do desfiladeiro,
como quem segura a medalha depois da longa maratona,
como quem toma a pena para compor o mais belo soneto.
Se me olhares de novo,
como eu me olho agora,
vislumbrarás a geografia do meu corpo,
a seda que me cobre a pele,
os perfumes que exalam do meu cabelo.
Achega-te até mim com lábios molhados,
põe nas tuas palavras as ousadias tantas que conheces,
renda teu corpo aos movimentos do prazer,
deita-te ao meu lado por horas apenas,
para que conheças a eternidade finita do instante.


Aprendizagem
(Por Cláudia Vanessa Bergamini)
Era uma lição de casa,
uma tarefa sem dificuldades,
bastava viver a cada dia e,
pronto, missão cumprida.
Numa manhã, fez-se o Sol.
Tocou em minha mão com um lápis,
e, como se estivesse me conduzindo rumo a um desenho,
foi dando forma a um novo dia.
Não tardou e o lápis grafite foi substituído pelo de cor.
Primeiro um rosa delicado começou a dar vida à imagem.
Logo depois, a cor vermelha,
em todas as suas nuances, foi a mais empregada.
Menos ainda tive de esperar para que todas as cores viessem formar a aquarela diante dos meus olhos.
A lição estava sendo feita,
mas não finalizada.
Distraidamente, cor a cor, a imagem foi sendo composta.
Quanta harmonia dava a ela leveza.
Os olhos dela não queriam desviar-se.
Mas há dias de chuva...
Com eles, há tons tão melancólicos e nostálgicos.
Quando o Sol deixou de conduzir o lápis,
o papel pardo ficou, a lição ficou,
porque nem só de cores vivas se faz uma aquarela.




Dos parágrafos finais 
(por Claudia Vanessa Bergamini)
E no laço me encaixo,
na trama, vejo o drama,
no enredo, conflito.
E nas personagens sinto a vida, 
na narrativa, o pulsar do coração.
E com a fábula me encanto,
sem desfecho me ponho em pranto,
sem ponto final, uso reticências.
Ainda há interrogações,
porém o capítulo não findou,
vou deixar em aberto.
A vida corre e o final...
Final não há.
Te encontro aqui ou acolá.
Nesta vida ou em outra e juntos vamos por o ponto final.

Construção 
(por Claudia Vanessa Bergamini)


Eu trago minhas mãos vazias,
tirei delas tudo o que não me represente.
Eu trago os pés descalços,
apenas o frio e o calor do chão eu careço sentir.
Eu trago meu corpo nu,
porque precisava tirar da pele tudo o que não fosse pele.
Do rosto tirei a maquiagem,
dele quero somente o brilho dos olhos, o contorno natural dos lábios, o desenho da face.
Da alma tento tirar as marcas por anos incutidas.
Ledo engano!
Não posso sequer borrá-las.
Todavia, posso colocar outras que venham sobrepô-las,
quem sabe até dar a elas o colorido que não veio,
criar contornos outros que sejam tatuagens com sorrisos.
De mim, quero construir um novo eu,
que não seja conivente,
que seja prudente,
que mantenha a audácia e a força de ontem,
mas sem a ingenuidade de sempre...


Noite se fez
(por Claudia Vanessa Bergamini)
E a tarde se fez noite... 
E o sol se ocultou em nuvens... 
E o frio voltou a rondar... 
Importante se faz manter o coração aquecido. 

Obrigada 
(por Claudia Vanessa Bergamini)
O agradecer faz parte da gratidão daqueles que se sentem plenos. Saber valorizar cada instante no dia em que muitas pessoas dedicam um momento a você é essencial para demonstrar a alegria do coração. Muito obrigada a todos que dedicaram a mim um instante de seu tempo e me cumprimentaram, festejando meu aniversário.


Do que se morre...
(Por Claudia Bergamini)
Engana-se quem pensa que se morre de solidão. Não. De solidão não se morre apenas se põe em estado de pranto. Engana-se quem pensa que se morre por amor. Não. Por amor não se morre apenas se põe em estado de tristeza. Engana-se mais ainda quem pensa que se morre por mudanças. Por mudanças não se morre apenas se resiste ao novo. De que se morre, então? Faz-se a pergunta o coração. A resposta eu já sabia, mas demorei a constatar. Só se morre nesta vida se parar de sonhar.

Acredite 
(por Claudia Vanessa Bergamini)

Sempre há de nascer uma flor! Ainda que o solo seja pedregoso, ainda que à terra faltem nutrientes, ainda que a água seja escassa.
Sempre há de nascer uma flor! 






Uma prece 
(por Claudia Vanessa Bergamini)

E nem mais o reflexo calmo da água me sustenta. Poderiam vazar-me os mais perfurantes espinhos e eu jamais sentiria uma dor como a que sinto agora, e pensar que essa dor nunca desaparecerá, é um vaga-lume que insiste apagar-se dentro de mim todos os dias. Receio um dia dissolver-me nela e, assim, dissipá-la, mas o Todo Poderoso não deixa, e não deixará. A prece que lhe dirijo nesse instante líquido e morno de angústia é a súplica mais pura, vulnerável e aprazível a seus olhos: cuida de mim!


Vozes 
(por Claudia Vanessa Bergamini)

Deus nos dá pessoas e sonhos, 
com elas, vem a alegria.
Depois, Deus, como quem quer ter certeza de nossa incapacidade de sermos felizes sozinhos,
vai matando um a um os sonhos,
e as pessoas vai tirando...
Ficamos sós,
mãos soltas,
braços ao vento.
É preciso saber, nas horinhas de descuido é que se acha a alegria.






Éolo 

(por Claudia Vanessa Bergamini)
E o vento, ora brisa, ora vendaval, está sempre a rondar-me. Chega e fica um tempo e depois se despede, deixando marcas tão características. Vento, vento, leve tudo o que fere, o que intristece, tira a mácula do coração. Vento, vento, deixe apenas a brisa mansa que longe está, todavia preciso sentir, senão respirar será vão.

Lição de como são os dias
(Por Cláudia Vanessa Bergamini)

Há dias bons.
Há dias ruins.
Outros terríveis e ainda os fantásticos.
Sobreviver a eles é mister.
Ser feliz é instantâneo!







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