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segunda-feira, 15 de julho de 2013

sobre as manifestações de junho

Um novo país

Era uma vez um lugar em que todos viviam sempre com a sensação de que eram felizes. Havia nele festas, muitas festas. Uma delas era comemorada, em geral, no mês de fevereiro, mas em janeiro algumas regiões do país já se entregavam aos prazeres da carne. Passados os momentos de alegria e euforia, iniciava-se a venda de chocolates. Todos no país, até mesmo aqueles moradores cujo dinheiro era limitado, desdobravam-se e voltavam seus esforços para a compra de ovos, porque eles traziam muita alegria.
Em maio, era a vez das mamães. Não que elas não mereçam, mas na verdade, era preciso aquecer o comércio do lugar, encher o coração das mães de roupas, sapatos, joias, perfumes e pouco, mas bem pouco mesmo, amor. Junho chegava, com ele, o inverno, estação aquecida por mais festa ainda. O amor dos namorados, além dos lençóis, aquecia o comércio e as grandes festas a São João e a Santo Antônio. Uma multidão, sedenta por alegria, arrastava-se dançando e comendo muito durante todas as festas juninas.
Um dia, porém, o país que só gostava de festas e, para comemorá-las não media esforços, acordou! No início de um evento esportivo, que outrora pararia o país, a alegria e a euforia já não mais habitavam o peito dos moradores do lugar. Corrupção, gastos exagerados, que denunciavam a má administração da verba pública, precariedade dos serviços de saúde, educacionais e outros que são oferecidos pelo governo foram fatores que contribuíram para que a população não desejasse mais o circo. Agora era a vez da consciência, da crítica, de abrir os olhos e clamar por mudanças. Porque manifestações eram raras no país, muitos confundiram com vandalismo, roubo, manchando aqueles que realmente buscavam uma mudança de paradigma, uma revolução no modo de ver e perceber os fatos.
Foi uma correria geral. Reuniões, entrevistas, especialistas falando sobre o fato. Muitos não sabiam que rumos seriam dados ao país dali em diante. Junho foi o mês do povo. Das mudanças. Não aquelas mudanças imediatas que se vê quando se vai tomar um ônibus e se descobre que a passagem custa hoje menos que custava 30 dias atrás. Ah sim, claro, essa mudança também aconteceu.
Mas não foi a mais importante, pois o que importou mesmo aos moradores do país foi passarem a acreditar que é possível mudar, que a voz do povo pode ser ouvida. Para tanto, é preciso gritar alto e em coro, como fez uma boa parcela dos moradores durante todo o mês de junho.
Em julho, a voz do povo não pode cessar. Um novo tempo nasceu no país em que a política do pão e circo não encontrará mais espaço.

Claudia Vanessa Bergamini

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