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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Crônica da saudade

Crônica da saudade
(Por Claudia Vanessa Bergamini)
Naquele dia, enquanto lia o jornal, perdi-me em meus pensamentos, lembrando-me de fatos já tão esquecidos. A criança que atravessara a rua diante de minha calçada tirou-me a atenção das notícias de hoje e fez meu pensamento voltar a mares já navegados, aliás, há muito tempo navegados.
Como era bom chegar em casa, sentia o cheiro da comida, via a fumacinha que saía do fogão e confirmava a minha certeza: ela cuidava de mim. Olhava a mesa e cada prato estava em seu lugar, havia uma família que, todos os dias, reunia-se em torno da mesa para saborear o alimento que, amorosamente, mamãe preparava. Conversas, agitação... Os três filhos, ao chegarem, disputavam as atenções e queriam contar todos juntos as novidades daquela manhã. Era um invadindo a fala do outro, sem paciência de esperar por sua vez de contar as novidades. O tempo trouxe o silêncio, esvaziou a mesa e baixou a tampa do fogão. Cada um pegou seu rumo e as conversas foram cessando. Do conceito de família restaram apenas as lembranças e aquele maravilhoso aroma de comida, que para sempre estará em meu coração, como bálsamo para aliviar o tempo de silêncio e solidão.

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